nota:
entre Março, Abril e Junho de 2004 publiquei no blog Geografismos os textos a seguir citados




convento de santa clara, cidade de évora
[2003-2004. AMARCORD]



Amarcord é um filme de Fellini. Traduz-se por Recordar. Recordo Santa Clara enquanto lugar fundador do Geografismos, foram tempos excepcionais.

Em 2004 com a desculpa das comemorações do 25 de Abril procuraram-se imagens de Évora e da Escola Básica 2,3 de Santa Clara, ex-Convento de Santa Clara; imagens que recuassem trinta anos no tempo. Este é o «Amarcord» do Geografismos.



[Imagem cedida pelo Arquivo Fotográfico da C.M. Évora]

As fotos são anteriores ao 25 de Abril. Informações seguras remetem a data das três imagens (pátio e duas salas) para o começo da década de setenta, entre 1970-74. Quase todos os pais dos meus alunos de sétimo ano passaram por aqui. Servirá para reverem o seu espaço.

O Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Évora cedeu fotografias muito saborosas para uma exposição singela e muito digna na sala 7. Professores com mais memória emocionaram-se. Fizemos uma manhã de evocações e quase nos esquecemos do «toque a feriado» - a expressão «toque a feriado» é cinco estrelas, não é? - que nos chamava para continuar a dar as aulas da manhã.

Digo-vos que levei imenso tempo a observar pequenos nadas, escutando grandes estórias. Aquando da procura destas imagens contou-se a história (pouco ou muito especulativa, não sei) de que os fotógrafos da cidade, no decorrer mais alvoraçado dos acontecimentos, dedicaram-se mais a casamentos e outros acontecimentos sociais, razão pela qual encontramos poucas fotografias disponíveis nos Arquivos Fotográficos...



[Imagem cedida pelo Arquivo Fotográfico da C.M. Évora]


[Imagem cedida pelo Arquivo Fotográfico da C.M. Évora]


Maria Etelvina Martins. Em 8 de Março evocou-se a sua memória. Foi a Directora da então chamada Escola Preparatória de Santa Clara entre 1981-1992. Este é o dia da sua memória e, portanto, o Dia da Escola.

Comemoraram-se 25 anos de aulas e 552 anos de existência. Muitos e muitos «Armacords».










[ história e pré-história da escola: ]



A minha E.B. 2,3 de Santa Clara localiza-se no centro histórico da cidade de Évora. Este, contido dentro de muralhas, forma um conjunto urbano homogéneo. Organizado através da estrutura medieval, resultante da primitiva rede viária romana, harmonizam-se na sua malha a arquitectura popular e os inúmeros monumentos militares, civis e religiosos. Habitam-no, actualmente, mais de 11.000 pessoas.


"O Convento de Santa Clara foi fundado no ano de 1452, pelo bispo de Évora, D. Vasco Perdigão, no antigo Paço dos Falcões.

Sofreu estragos de certa monta em Maio de1663, durante o cerco da cidade pelo exército castelhano de D. João de Áustria, e no dia 1º de Dezembro de 1755, quando do terrível sismo que destruiu Lisboa .

[ ... ] Atendendo ao seu grande valor arqueológico e histórico, foi entregue, em 1951, ao Ministério da Educação Nacional que nele instalou a Escola Industrial e Comercial de Évora, que funcionou até 1971.

No ano lectivo de 1968/69 foi criada a Escola Preparatória André de Resende, no edifício de Santa Clara (funcionando em simultâneo com a Escola Industrial e Comercial, durante dois anos), onde se manteve até 1978/79.

Em 1979, ocupando o velho edifício conventual, foi criada a Escola Preparatória de Santa Clara que passou a Escola Básica 2,3 de Santa Clara, no ano lectivo 1993/94."


[in Homepage da EB 2,3 de Santa Clara, Évora
resumo, tabulação e negrito no texto por Geografismos]












[ de convento a escola: a actual escola básica de santa clara ]



A comunidade religiosa de Santa Clara foi a última, em Évora, a encerrar as suas portas, facto que se verificou em 9 de Maio de 1903, por morte de Maria Ludovina do Carmo, única freira então existente.

O edifício, após ter estado encerrado durante alguns anos, foi entregue ao Ministério da Guerra que nele instalou quartéis nos anos de 1911 a 1936.

Depois de restaurado pelo Ministério das Obras Públicas e atendendo ao seu grande valor arqueológico e histórico, foi entregue, em 1951, ao Ministério da Educação Nacional que nele instalou a Escola Industrial e Comercial de Évora, que funcionou até 1971.

No ano lectivo de 1968/69 foi criada a Escola Preparatória André de Resende, no edifício de Santa Clara (funcionando em simultâneo com a Escola Industrial e Comercial, durante dois anos), onde se manteve até 1978/79.

Em 1979, ocupando o velho edifício conventual, foi criada a Escola Preparatória de Santa Clara que passou a Escola Básica 2,3 de Santa Clara, no ano lectivo 1993/94.

[in Homepage da EB 2,3 de Santa Clara, Évora
resumo, tabulação e negrito no texto por Geografismos]












[ pais e filhos. o deus tempo ]



"Tenho continuado a seguir a mais dinâmica e prometedora realidade da blogosfera eborense: o "GEOGRAFISMOS" e a sua comunidade de blogues escolares, protagonizada pelos alunos da Escola de Santa Clara.

O meu entusiasmo, e porque não dizer a minha ternura, nasce de várias fontes. Desde logo essa afinidade de base que é ter sido aluno da escola durante dois anos, e curiosamente companheiro de turma de vários progenitores de alguns dos blogueiros agora lançados no projecto do "Geografismos". Foi há muitos anos, mas o passado nunca deixa de estar presente, como diz o poema de T. S. Elliot que deu o título de uma revista que por vezes aqui tenho citado - o "Tempo Presente".

Depois a circunstância de, passados anos, bem longe daqui, ter sido professor - sete anos da minha vida, sete... e ainda hoje sinto que nada do que fiz me encheu a alma como essa experiência diária, cheia de alegrias e frustrações, em que uma pessoa se dá inteira para aprender com outras, que nos olham na ilusão e na esperança de sermos nós a ensinar-lhes qualquer coisa; expectativa a que temos que responder, envergonhadamente...

Não falo da convicção racional de que o ensino é hoje o principal terreno da guerra que temos de travar, se queremos ter a sociedade e o país que sonhamos ter. Mas isso vem por acréscimo - nunca consigo afastar-me do ensino.

Finalmente, confesso a sensação afectuosa e divertida de vê-los crescer, crescer... sinceramente, nem a revelação crua do tempo que passou se sobrepõe a essa alegria; um homem passa, mas a vida infinitamente se renova.

Já tinha ironizado aqui sobre essa impressão, quando descobri o blogue do filho do Jaime. Não seria capaz de o reconhecer, evidentemente, mas sorri ao lembrar o rapazinho que o Jaime Nogueira Pinto me apresentou, há tantos anos, lá no Campo Grande, ainda a Zézinha era só dona de casa.

E agora, nestes "Geografismos" eborenses, encontrar um blogue do João Roma traz-me à lembrança outro tempo ainda mais antigo, quando a pequenada jogava à bola no jardim do Largo de São Mamede, ali bem perto da Rua da Mouraria (o pai Roma era então muito mais dedicado ao futebol do que às Finanças)... e a Patrícia - ai de mim! - os pais dela são muito mais novos do que eu..."


in O sexo dos anjos
sublinhados do geografismos













[ Junho, 2004 ]



Arte e ciência. Os primeiros passos com «Recriações».

A Galeria de Exposições do Inatel, rua Serpa Pinto, é um daqueles prédios apalaçados muito comuns em Évora. É o local adequado para vermos os trabalhos que o professor Vitor Maltinha criou com os seus alunos do 5ºH, 6ºD, 6ºG e 6ºB de Santa Clara. O evento chama-se Recriações e pode ser visto de 7 a 11 de Junho (10h00-12h00 e 14h00-18h00).







Arte e Ciência é o género de misturada que mais me interessa. O facto de alunos entre os dez e onze ou mais anos criarem com as mãos artefactos sustentados num fundo elementar de matemática e geometria elementar fascina-me e creio que justifica a ida a uma exposição como esta. Para já não dizer que a sensibilização para a ciência passa muito por aqui (uma questão de intervenção política, à maneira de Carl Sagan e outros...). Parabéns ao extraordinário Vitor Maltinha e seus alunos.














[ a minha évora ]





a praça do giraldo, évora




"Infalivelmente, todas as terças-feiras, quer chovesse quer fizesse sol, a Praça do Giraldo abarrotava de gentio. O café Arcada formigava de bonés e chapéus descaídos para a nuca. Capote, samarra ou pelico e safões pela rijeza do inverno. A singeleza da camisa e colete pela calma do verão.

Era o dia dos negócios da lavoura. A «bolsa informal» do gado, da cortiça, das leguminosas, dos cereais e da palha. Entre cafés e aguardentes concertavam-se negócios, apalavravam-se arrendamentos, compras e vendas de herdades, emprestava-se e pedia-se dinheiro."

In Alentejanando Fevereiro, 2004




Évora cresceu e urbanizou-se. Para mim a Praça do Giraldo são as noites quentes de Verão, as tardes nos telhados do Harmonia com concertos e filmes pela madrugada, o pessoal da Universidade de Évora...

Indo para baixo, no sentido sul, encontramos o departamento de Geologia, para poente e ao fundo da muralha, encontra-se a escola de Santa Clara. Para cima chegamos à Praça do Sertório e ao café Capuccino. Ou, ainda mais para cima, junto à Sé, o mais bonito restaurante-pátio vegetariano do país.





"Évora, conquistada quando D. Afonso Henriqus se firmou na linha do Tejo (1147) e logo perdida, foi recuperada em 1160 pelo audacioso fronteiro Giraldo Sem Pavor, que com o seu bando guerreava por sua conta, às vezes até aliando-se aos reis taifas (um dos quais, farto das suas trapaças, o mandou decapitar) e infundia nos mouros grande medo: «avançava sem ser apercebido na noite chuvosa, escura, tenebrosa e, insensível ao vento e à neve, ia contra as cidades», diz um cronista árabe.

Giraldo entregou-se ao Rei de Portugal, mas, perante o avanço das suas conquistas, a reacção almoada não se fez esperar. Todo o Sul do Tejo se perdeu e o exército mouro, com grandes esforços do Almagrebe (Marrocos), acampou à vista de Lisboa, no alto de Almada: apenas Évora, entregue aos freires de Calatrava, resistiu heroicamente - ilhota cristã no meio da mourisma vigilante e agressiva. Os seus corajosos defensores passaram a ser conhecidos por «freires de Évora», até fixarem o mestrado em Avis."

RIBEIRO, Orlando - Évora. Sítio, origem, evolução e função de uma cidade. In Opúsculos geográficos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994. Vol. 5.



Oitocentos e quarenta e quatro anos depois Évora é um dos locais mais interessantes para viver. Tive a boa sorte de leccionar numa das mais bonitas escolas da cidade, no interior da Évora histórica: Santa Clara, antigo convento fundado no ano de 1452. As imagens em cima são da Praça do Giraldo, em baixo a escola (fachada da igreja de Santa Clara e pátio interior).







25 DE ABRIL. O DILEMA DO PRISIONEIRO:
Resistir ou colaborar, o que fazer?



Imagina-te no papel de um líder estudantil. Em 12 de Outubro de 1972 estás numa reunião, na Faculdade de Ciências Económicas e Financeiras de Lisboa, junto com outros camaradas de luta. Agentes da PIDE invadem a sala de pistola na mão. Após a luta corpo a corpo e um estudante assassinado, és detido e segues para o forte de caxias juntamente com um outro camarada.

Tu e o teu camarada serão isolados e torturados. A polícia quer informações da vossa organização clandestina e provas para vos julgar e condenar a uma pena prolongada de prisão.


a) Se denunciares o outro prisioneiro deixarás de ser torturado e ficarás imediatamente livre; o outro prisioneiro será torturado e condenado a 15 anos de prisão.

b) Se o outro prisioneiro te denunciar, sofrerás mais torturas e uma pena de prisão de 15 anos; ele ficará imediatamente livre.

c) Se se denunciarem mutuamente, ambos sofrerão tortura e uma pena de prisão de 9 anos.

d) Se ambos resistirem e não denunciarem ninguém, sofrerão tortura e somente 1 ano de prisão.


Ele resiste
Ele denuncia
Eu resisto
1 ano - 1 ano
15 anos - livre
Eu denuncio
livre - 15anos
9 anos - 9anos



Nas aulas de Formação Cívica poderás jogar e discutir qual as melhores estratégias de jogo; não esquecer o dilema ético: altruísmo ou egoísmo.

1. Para jogares, e porque este é um jogo do tipo «soma zero» será concedido a todos os jogadores o montante de 68 pontos. Cada ponto é 1 ano de vida; cada jogador tem, à partida, 68 anos de vida.

2. Em simultâneo, cada jogador toma a sua decisão de resistir ou denunciar, sem que ninguém saiba. Deve-se escrever a «decisão» num pedaço de papel e dobrá-lo.

3. Quando as «decisões» forem divulgadas serão atribuídas penas de prisão consoante os valores do quadro de cima. A cada ano de prisão corresponde 1 ponto perdido.

A partir daqui podes fazer uma única partida ou, pelo contrário, as inúmeras partidas que uma aula de 45 minutos permita.



nota:
Os 68 pontos jogáveis estão relacionados com a esperança média de vida dos portugueses em 1972 que era aproximadamente de 68 anos.






O dilema do prisioneiro foi apresentado pela primeira vez na Universidade de Princeton em 1950, como um exemplo da teoria dos jogos, pelo cientista Albert Tucker.
12 de Outubro de 1972: O estudante de engenharia Ribeiro Santos é assassinado pelo agente da Pide, Gomes da Rocha, no Anfiteatro do ISCEF. O actual deputado José Lamego em luta com quem disparava ficou ferido numa perna. In Jorge Costa, O ano da morte de Ribeiro Santos, História, nº49, 2002.












25 DE ABRIL. MEMÓRIA DA LUTA POLÍTICA
Polícia política, tortura e luta política.





Para além da lógica parodoxal do dilema de um prisioneiro interessa-nos conciliar o registo histórico com a sensibilização de alunos do 3º Ciclo para as dificuldades próprias da luta anti-fascista em condições de tortura física. A um prisioneiro da PIDE/DGS colocava-se um dilema: resistir e sofrer ou colaborar e denunciar.

Utilizamos excertos da informação factual colectada por Christopher Reed e rectificada por Fernando Vicente.





"My Journey to Caxias: How the CIA Taught the Portuguese to Torture" é um artigo do jornalista Christopher Reed, correspondente do London Guardian em Portugal entre 1974 e 1976. Publicado em Maio de 2004 descreve sumariamente os aspectos mais operacionais dos métodos de tortura utilizados pela PIDE/DGS.

Fernando Vicente. Violentamente torturado pela PIDE, foi submetido à tortura do sono durante 31 dias (31 dias e noites em 33 dias de calendário). Ex-membro do Comité Central do PCP, organizador da Festa do Avante, tem de 63 anos.






A Polícia Internacional de Defesa do Estado [PIDE] utilizava as mais recentes técnicas de coerção — concebidas pela US Central Intelligence Agency [CIA].

O ponto central da tortura era a privação do sono, uma nova descoberta guardada num manual secreto com 128 páginas produzido pela CIA em Julho de 1963 e denominado Kubark Counterintelligence Interrogation. Ver em www.kimsoft.com/2000/kubark.htm

O capítulo nove do Kubark, intitulado "Interrogatório coercivo de fontes resistentes pela contra-inteligência" (Coercive Counterintelligence Interrogation of Resistant Sources), recomenda a privação do sono e a privação sensorial a fim de produzir a "síndrome DDD" de "debilidade, dependência e medo" ("debility, dependence, and dread") nos "interrogados" (observe-se a desumanização desta palavra). As vítimas podiam ser reduzidas à submissão numa questão de horas ou dias, dizia-se ali, mas advertia-se a seguir contra "aplicações duras que ultrapassam o ponto dos danos psicológicos irreversíveis".

Cumprindo as recomendações do manual, as células à prova de som da PIDE não continham distracções. As paredes e os tectos eram brancos mas permaneciam marcas arranhadas — eram fontes excelentes para estimular as alucinações que os prisioneiros experimentavam após os primeiros poucos dias sem sono. A iluminação, como o Kubark recomendava, era fraca, artificial, e a sua fonte invisível. Enormes aparelhos escondidos de ar condicionado-aquecimento podiam em minutos tornar a temperatura da sala fria como o gelo ou ardente como o deserto.

O mobiliário, principalmente uma mesa e umas poucas cadeiras, era protegido nas pontas para impedir os prisioneiros de se tentarem matar chocando a cabeça contra os mesmos, como fizeram alguns. Os tectos da cela tinham alto-falantes que difundiam sons ruidosos e terrificantes, ou por vezes os choros e soluços das suas esposas ou filhos.

As refeições eram servidas aleatoriamente, de modo deliberado. Um aparente pequeno-almoço podia chegar às 16 horas; o jantar à meio da noite. Não eram permitidos relógios. As células não tinham camas. O record de privação de sono de um prisioneiro foi de um jovem engenheiro, um comunista, mantido desperto durante um mês. Ele cometeu o suicídio após a sua libertação.

Em tempos mais antigos a Pide foi famosa pela brutalidade da tortura. Mas isto foi suavizado com os seus benevolentes guias da CIA: a violência era evitada. Eu vi um relatório sobre um responsável da Pide rebaixado por bater num prisioneiro, renovando assim a sua resistência. Como diz o Kubark-CIA: "A brutalidade física directa apenas cria ressentimento, hostilidade, e mais desafio". O relato sobre o responsável da Pide queixava-se de que a sua violência havia "atrasado o tratamento".


[Perante a violência, inúmeros prisioneiros quebravam as suas resistências e denunciavam os seus companheiros de luta, iniciando-se uma mais que provável colaboração com a polícia política...] Muitos prisioneiros [quando] libertados, especialmente os comunistas — considerados como os mais difíceis de quebrar — não voltavam para casa. Ao invés disso afastavam-se das suas famílias, conseguiam um emprego simples, ou caiam no alcoolismo, até mudavam de nomes; tais eram as suas novas vidas como zombies mentais.

[ REED, Christopher - My Journey to Caxias: How the CIA Taught the Portuguese to Torture. s.l. : counterpunch.org. 2004
resumo, tabulação e negrito no texto por Geografismos ]









"Havia uma certa dose de romantismo e de aventura que desaparecia na manhã em que te batiam à porta com altos brados e clamavam sem se identificarem, te reclamavam com olhares de ódio, não de quem cumpria ordens, mas de quem odiava de facto o mundo. Batiam à porta com ponta-pés e coronhadas até a aventura se esvair."

[ DIONÍSIO, Eduarda - Retrato dum amigo enquanto falo. Lisboa : Quimera. 1988
resumo, tabulação e negrito no texto por Geografismos ]







nota do geografismos:
O engenheiro sujeito a tortura do sono mencionado pelo jornalista Christopher Reed é Fernando Vicente. Violentamente torturado pela PIDE, foi submetido à tortura do sono durante 31 dias (31 dias e noites em 33 dias de calendário).
Contudo Fernando Vicente não se suicidou. Ex-membro do Comité Central do PCP, tem actualmente 63 anos. A sua situação, testemunhada por Reed em «My Journey to Caxias: How the CIA Taught the Portuguese to Torture», artigo supracitado, suscita-lhe algumas correcções factuais que podem ser lidas em http://resistir.info/portugal/caxias.html#nota.

O manual Kubark, foi desclassificado em 1997 por iniciativa do jornal Baltimore Sun e ao abrigo da lei americana Freedom of Information Act.

ABRIL DE 1974 - Memória dos anos setenta:
ESTADO DO TEMPO NA ÚLTIMA TENTATIVA DE GOLPE MILITAR ANTERIOR AO 25 DE ABRIL







"DIA 16 DE MARÇO DE 1974: TEMPO PROVÁVEL NO CONTINENTE E NA MADEIRA ATÉ À TARDE DO DIA 17:

No Continente: Céu geralmente muito nublado nas regiões do norte e centro e pouco nublado na região sul. Vento fraco e moderado, predominante de noroeste. Chuvisco no litoral a norte do Cabo Mondego"

[ Boletim Meteorológico, Lisboa : Instituto de Meteorologia. (16 de Março de 1974).tabulação e negrito no texto por Geografismos ]










"Na madrugada de 15 (sexta-feira) para 16 (sábado), há menos de seis semanas, uma tentativa de levantamento militar foi iniciada no Regimento de Infantaria 5, aquartelado nas Caldas da Rainha, onde oficiais com as patentes de major e capitão detiveram o comandante, o segundo-comandante e três majores, após o que fizeram sair uma coluna autotransportada na direcção de Lisboa. Horas depois o movimento abortava." (in Repúlica,25-04-1974).







ABRIL DE 1974 - Memória dos anos setenta:
ESTADO DO TEMPO NO 25 DE ABRIL E CARTA SINÓPTICA DE SUPERFÍCIE (SITUAÇÃO GERAL ÀS 00H00)



"DIA 25 DE ABRIL DE 1974: SITUAÇÃO GERAL ÀS 00H00 TMG DO DIA 25 E EVOLUÇÃO PROVÁVEL ATÉ ÀS 24H00 TMG DO DIA 26 Nas Ilhas Britânicas, França, Bélgica, Países Baixos, Alemanha e Península Ibérica o céu estava geralmente pouco nublado e o vento era fraco, por influência de um anticiclone que se estendia de sudoeste dos Açores até à Escandinávia. Nos Açores o céu estava geralmente pouco nublado e o vento era fraco. Na Madeira o céu estava muito nublado e o vento era fraco de norte. Em Portugal Continental o céu estava muito nublado nas regiões do litoral, pouco nublado nas regiões do interior e o vento era fraco ou moderado de noroeste. Havia neblina em alguns locais."

[ Boletim Meteorológico, Lisboa : Instituto de Meteorologia. (25 de Abril de 1974).tabulação e negrito no texto por Geografismos ]






[In Boletim Meteorológico, Lisboa : Instituto de Meteorologia. (25 de Abril de 1974) ]






[In Boletim Meteorológico, Lisboa : Instituto de Meteorologia. (25 de Abril de 1974) ]





"DIA 25 DE ABRIL DE 1974:
TEMPO PROVÁVEL NO CONTINENTE E NA MADEIRA ATÉ À TARDE DO DIA 26:




NO CONTINENTE: Períodos de céu muito nublado e vento fraco ou moderado de noroeste.

NA COSTA DO CONTINENTE:

ZONA NORTE: Céu geralmente muito nublado.
Vento fraco predominante de nordeste.
Visibilidade boa.
Mar encrespado.
Ondulação fraca de noroeste.

ZONA CENTRAL: Céu geralmente muito nublado.
Vento fraco ou moderado de noroeste.
Visibilidade boa.
Mar encrespado a de pequena vaga.
Ondulação fraca de noroeste.

ZONA SUL: Céu geralmente muito nublado.
Vento fraco.
Visibilidade boa.
Mar encrespado.

NA MADEIRA: Céu geralmente muito nublado.Vento fraco de norte. Visibilidade boa. Mar encrespado. Ondulação fraca de noroeste."

[ Boletim Meteorológico, Lisboa : Instituto de Meteorologia. (25 de Abril de 1974).tabulação e negrito no texto por Geografismos ]

ABRIL DE 1974 - Memória dos anos setenta:
OS ÚLTIMOS DIAS







"Quase todos desconheciam, tudo das fábricas e dos campos, não sabiam nem as casas, nem as horas, nem os gestos dos operários e camponeses em nome dos quais falavam, esquecendo-se abundantemente de que era em nome deles que falavam.

Tinham lido pouco. Gente que citasse como tu Fernando Pessoa ou que imaginasse frases a partir de Sá-Carneiro havia muito pouca, não tanto por repúdio duma cultura que talvez chamassem por vezes burguesa, mas por uma grande falta de hábito e uma grande inércia.

Liam pouco dos clássicos e dos teóricos - também pouca gente tinha as obras de Marx e de Lénine que circulavam secretamente, de pasta em pasta, e de quarto em quarto - e sabiam mais frases que resumiam grandes ideias do que o raciocínio completo.

Por isso, aqueles que liam com cuidado, sublinhando os livros com lápis azul ou vermelho grosso e gorduroso, ou fazendo fichas por temas, eram escutados, das palavras deles saindo a ciência de quase todos, as certezas, os padrões e as referências."

[ DIONÍSIO, Eduarda - Retrato dum amigo enquanto falo. Lisboa : Quimera. 1988
resumo, tabulação e negrito no texto por Geografismos ]






"Évora. A vida citadina processou-se, durante o dia de ontem, com toda a normalidade. Os eborenses acompanharam os acontecimentos através dos noticiários da rádio e da televisão e dos jornais, que se esgotaram, embora com as suas edições aumentadas.

Pelos contactos que tivemos com a população, pudemos verificar que se encontra cônscia do momento histórico que se está a viver. Quando as tropas cercaram o quartel-general da Região Militar, o povo acatou as ordens recebidas, e aplaudiu com vivas e palmas às Forças Armadas.

Ao princípio da noite de ontem, as forças militares tomaram conta dos serviços da DGS e da LP, recolhendo material e ocupando os respectivos edifícios. Estas operações decorreram com toda a facilidade, não obstante, o povo, ao ter-se apercebido do que se passava, acorreu, em grande número, às artérias onde se instalavam aqueles serviços."

[ O Século (27 de Abril de 1974). Tabulação e negrito no texto por Geografismos ]






ABRIL DE 1974 - Memória dos anos setenta:
AGRADECIMENTOS


O Geografismos destaca e agradece duas boas colaborações para os posts do 25 de Abril: Para algumas das imagens do 25 de Abril contamos com a disponibilidade de Victor Valente que prontamente acedeu a que suas fotos aqui fossem postadas; são fotos devidamente referenciadas. Para as cartas sinópticas de Abril de 1974 e coleccção de recortes de imprensa, nacionais e eborenses, contamos com o apoio de Pedro Alves que organizava o debate «Entre Lenine e Trostky», inserido nas comemorações «Memórias dos Anos Setenta» da Livraria Ler Devagar, obtendo-nos uma mão cheia de Boletins Meteorológicos na biblioteca-arquivo do Instituto de Meteorologia.

ABRIL DE 1974 - Memória dos anos setenta:
OS LUGARES DA ACÇÃO MILITAR









24 de ABRIL DE 1974:


«19h00 - Os censores na Rádio Renascença autorizam os textos e o seguinte alinhamento do bloco com a duração de 11 minutos: quadra, canção Grândola, quadra, poemas Geografia e Revolução Solar, da autoria de Carlos Albino, e a canção Coro da Primavera.»

«22h48 - Uma falha técnica suspende, durante alguns minutos, a transmissão dos Emissores Associados de Lisboa, facto que causa natural apreensão nas largas dezenas de militares que aguardam ansiosamente o primeiro sinal para entrar em acção.»

«22h51 - Restabelecimento da emissão dos E.A.L..»

«22h55 - 1ª senha: a voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones do Rádio Clube Português: "Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus»". Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.»

«00h20 - 2ª senha: Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após 19 segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.»

«03h00 - Rádio Televisão Portuguesa: A RTP, Mónaco na linguagem cifrada dos militares revoltosos, é tomada de assalto pela força da Escola Prática de Administração Militar (EPAM).»

«04h26 - Rádio Clube Português: emite o primeiro comunicado pela voz pausada de Joaquim Furtado: Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.» In Instituto Camões - Cronologia do 25 de Abril

[ adaptado de Revista História
referenciado a imagem satélite MODIS - Rapid Response System ]





ABRIL DE 1974 - Memória dos anos setenta:
O NOSSO AMARCORD




[Imagem cedida por Victor Valente. 2004 ]



Amarcord. Frequentava o primeiro ano da escola primária e media cento e dez centimetros. Trinta e um anos após o 25 de Abril opto por um tom evocativo do espírito da época, misturando os pequenos nadas da vida de todos os dias com o grande acontecimento, a revolução dos cravos, que começou às 22h55 de 24 de Abril de 1974 e terminou, digamos, na noite de 25 de Novembro de 1975.



[Imagem cedida por Victor Valente. 2004 ]




[Imagem cedida por Victor Valente. 2004 ]



Anos setenta. Os meados e fins dos anos setenta foram para mim, e para a maioria dos pais dos meus alunos, a aventura da escola primária. Possivelmente passavam as tardes a jogar à bola ou a correr pelas ruas.

Abril de 74 é o meu «Amarcord». É a televisão a preto e branco, os desenhos animados do «Vickie», a «Gabriela, Cravo e Canela», o «Espaço 1999»; são as brincadeiras infindáveis pela noite dentro para chegar a casa enegrecido de tão sujo que ficava (os jogos de bola combinavam-se assim: «muda aos seis, acaba aos doze»). Por vezes os gritos de «os ciganos vêm aí!» faziam-nos fugir rua acima.

Verão Quente de 75. Pelo meio as manifestações, das quais só me lembro de um imenso mar de pernas, ou o dia em que uns dez milhares de operários da Lisnave subiram a encosta para defender, com um cordão humano, o quartel de Almada ameaçado de bombardeamento por voos rasantes da Força Aérea - várias vezes houve o risco de uma guerra civil. Após a tempestade política do Verão Quente de 1975, a calma surge com a intervenção militar de 25 de Novembro de 1975.



[Imagem cedida por Victor Valente. 2004 ]




Em 1974 Lisboa era uma cidade pequena, pobre e triste. As barracas, os bairros de lata, eram imensos e cresciam à volta da capital. Ao «Amarcord», de Fellini, podemos somar um pouco, muito pouco, do «Gato Preto, gato Branco» de Emir Kusturica. Fiquei com uma excelente impressão desses tempos...

"Lembras-te das associações de estudantes? As associações nesses tempos funcionavam como viriam a funcionar alguns partidos que então não existiam, a pulso, com muita vontade e muita militância de uns, alguma ambição dos que consideravam estar no ensaio geral da vida ou mesmo de outra época que acabaria por vir, da política, com P grande, dos empreendimentos medidos e negociados, das actividades que incluem outros que não sabem perfeitamente o que estão a fazer ou porquê, se bem que julguem saber para quê.

As associações de estudantes eram metros quadrados de caves com um ritmo irregular, muito intenso nas alturas das greves, quando se avizinhava uma luta ou uma realização cultural, muito mais lento nos dias normais - um espaço pouco familiar à maior parte dos estudantes, a que se apegavam os activistas nelas vivendo tumularmente, mas irradiando uma cultura solar de manifestos, de verdade, de divulgação de ideias justas, da coragem que se inscrevia nos grandes cartazes a vermelho e negro em papel de cenário de cor crua e rugoso, nas ceras donde se reproduziam milhares de exemplares, nos pequenos jornais mensais.

Aí aprendemos a manejar as tintas planas e as letras desenhadas, a paginar em pequena escala, a escrever coisas impessoais."

[ DIONÍSIO, Eduarda - Retrato dum amigo enquanto falo.
Lisboa : Quimera. 1988
resumo, tabulação e negrito no texto por Geografismos ].



[Imagem cedida por Victor Valente. 2004 ]

ABRIL DE 1974 - Memória dos anos setenta:
AMERICAN GRAFFITI





Para o dia 25 estava agendado no cinema APOLO 70 o filme «American graffiti», de Georges Lucas. Consta que na década de setenta o Centro Comercial Apolo 70 foi um must de urbanidade na capital do, ainda, Império português. O preço do bilhete variava entre 7$50 a 30$00.



[In All Movies ]







ABRIL DE 1974 - Memória dos anos setenta:
CARTAZ DOS CINEMAS EM 25 DE ABRIL DE 1974



CINEMAS DE ESTREIA:
[ 25-4-1974 ]


ALVALADE
«A rainha do karatê», de Chien Lung
Preço de 10$00 a 30$00.

APOLO 70
«American graffiti», de Georges Lucas
Às 00.00 horas: «O Candidato», de Michael Ritchiie
Preço de 7$50 a 30$00

AVIS
«Malteses, burgueses e às vezes», de Artur Semedo
Preço de 15$OO a 27$50.

BERNA
«Jesus Cristo superstar», de Norman Lewison
Preço de 20$00 a 35$OO

CASTIL
«Segredos proibidos», de Philip Saville
Preço de 20$00 a 35$OO

CINEARTE
«Corrida selvagem», de Burt Topper
Preço de 12$50 a 22$50

CONDES
«O magnifico» de Phililipp de Broca
Preço de 12$50 a 27$50

ÉDEN
«Cantinflas às ordens de vosselência», de Miguel M. Delgado
Preço de 12$50 a 27$50

ESTÜDIO
«Ritual», de Ingmar Bergman
Preço de 20$00 a 27$50

ESTÜDIO 444
«O porteiro», de Bernard le Coq
Preço de 17$50 a 25$00

EUROPA
«Almas a nu», de Simone Signoret
Preço de 15$OO a 22$50.

IMPÉRIO
«Um homem de sorte», de Lindson Anderson
Preço de 15$OO a 27$50.

LONDRES
«O convite», de Claude Goretta
Preço de 20$00 a 35$OO

MONUMENTAL
«Harry, o detective em acção», de Ted Post
Preço de 20$00 a 30$00

MUNDIAL
«O nosso amor de ontem», de Stark
Preço de 17$50 a 30$00

ODEON
«Cruel vingador», de Chang Chen
Preço de 17$50 a 25$00

OLYMPIA
«Fabricante de loiras explosivas», de Mário Bava
Preço de 11$00 a 15$00

PATHE
«Conde Yorga Vampiro», de Bob Kelllan
Preço de 20$00 a 30$00

POLITEAMA
«Eusébio, o panterara negra», de Juan de Orduna
Preço de 10$00 a 22$50

ROMA
«O nosso amor de ontem», de Stark
Preço de 17$50 a 27$50

ROXY
«Até ao amanhecer», de Peter Collmson
Preço de 20$00 a 30$00

SATÉLITE
«Cerimônia solene», de Kagisa Oshima
Preço de 20$00 a 30$00

SÃO JORGE
«Tchaikovsky, delírio de amor», de Ken Russel
Preço de 17$50 s 37$50

TIVOLI
«A golpada», de George Rey Hill
Preço de 12$50 a 30$00

VOX
«O homem das solas rotas», de Cliff Owen
Preço de 20$00 a 35$00



OUTROS CINEMAS:
[ 25-4-1974 ]


INSTITUTO ALEMÃO
«Mathias KneissI», de Rainer Hauff

CENTRO CULTURAL AMERICANO
«The Hired Hand». Entrada por convites.

JARDIM - Sessão do C.C. IMAGEM
«Os profissionais»

S. LUIZ - Sessâo do CINECLUBE CATÓLICO
«O homem da cabeça rapada», de A. Delvaux
Preço para não sócios: 15$00

LICEU FRANCÊS CHARLES LEPIERRE
«La vieille dame indigne», de René Allio

[ in A capital (25 de Abril de 1974).
tabulação por Geografismos ]















ABRIL DE 1974 - Memória dos anos setenta:
GRELHA DE PROGRAMAÇÃO DA RTP E RÁDIO EMISSORA NACIONAL



TELEVISÃO
[ 24-4-1974 ]


PROGRAMA I
12.45 - Desenhos animado»
13.00 - Fronteiras do amanha
13.15 - «Agulhas e alfinetes»
13.45 - Telejornal
14.00 - Feminino singular
14.20 - Logo à noite

CICLO PREPARATÓRIO TV
14.40 - Língua portuguesa 2º ano
15.05 - Matemática 1º ano
15.30 - Desenho 2º ano
16.00 - Educação física 1º ano
16.25 - Hist. e geog. de Portuga 1º ano
16.50 - Matemática 2º ano
17.25 - Língua portuguesa 2º ano

Ï7.55 - Eurovisâo
Futebol - Transmissão directa do jogo Magdeburgo-Sporting para a «Taça das Taças"
19.45 - Telejornal
20.00 - Perspectiva
20.45 - Vamos jogar no Totobola
21.00 - Uma família vulgar
21.30 - Telejornal
Boletim meteorológico
22.05 - Concerto
Trio para piano, violino e violoncelo, op. 11, de Beethoven, interpretado pelo Trio Stern
22.30 - A família Strauss
"Emília", por David Reid, com Eric Woofe, Stuart Wilson, Anne Stallybrass, Barbara Ferris, Derek Jacobi, Chritopher Benjamim e David de Keyser. Música pela Orq. Sinf. de Londres
23.45 - Telejornal


PROGRAMA II

20.30 - «Agulhas e alfinetes»
21.00 - Fronteiras do amanhã»
21.10 - Desenhos animados
21.30 - Telejornal
Boletim meteorológico
22.05 - «O Aventureiro»
22.40 - Encontro com o mundo

[ Diário de Notícias (24 de Abril de 1974).
tabulação por Geografismos ]








RÁDIO EMISSORA NACIONAL.
[ 24-04-74 ]


PROGRAMA I
07.00 - Programa da manha Noticiário
07.05 - informação da Bolsa de Mercadorias
07.15 - Rádio rural
07.50 - Ginàstïca
08.00 - Jornal da manhã
Boletim Meteorológico
Programa da Manhã
09.00 - Noticiário
Revista da Imprensa
Programa da Manhã
10.00 - Noticiário
10.15 - Coluna musical
11.00 - Noticiário
11.05 - Ao sabor da fantasia
12.00 - Noticiário
12.05 - Dia positivo
13.00 - Jornal da tarde
Boletim Meteorológico
13.20 - Melodias por orquestras
14.00 - Folhetim «O Jogral de Deus» (20. ep.)
14.27 - «Eco 74» - colab. Orquestra de Variedades da E.N. e o Conjunto de Hilário Sanches; dir. José Mesquiía
15.00 - Noticiário
Informação da Bolsa
Boletim Meteorológico
15.10 - Conjuntos e orquestras
15.30 - Música popular portuguesa
16.00 - Noticiário
16.05 - «Isto é Brasil»
16.30 - «Convívio»
17.00 - Noticiário
«Convívio»
17.50 - Noticiário
17.55 - Futebol:
«Taça dos Vencedores das Taças»
Transmissão da Alemanha Oriental, do relato do jogo da 2ª mão das meias-finais «Magdeburgo-Sporting»
19.45 - Ao encontro da melodia
20.00 - Jornal da noite
Boletim Meteorológico
20.30 - Folhetim «O Jogral de Deus» (21º ep.)
21.00 - Momento 74
21.20 - Conjuntos ligeiros
21.35 - A Orquestra de Variedades da E.N., dir. José Mesquita
22.15 - O grupo coral da Casa do Povo de Alfundão (Alentejo)
22.35 - Melodias por orquestras
23.00 - Noticiário
Boletim Meteorológico
23.05 - De um dia para o outro


[ Diário de Notícias (24 de Abril de 1974).
tabulação por Geografismos ]




"[T]inha há algum tempo começado a guerra, mas era ali na faculdade, para muitos, uma coisa que se esquecia. Era das aldeias que partiam em lentos navios onde às vezes punham bombas - quem seria que as punha? - e também dos bairros periféricos e muito populosos das cidades maiores. Eram sobretudo esses que caíam quando deflagravam granadas e rebentavam minas, eram esses homens dos campos e das fabricas que ainda tendo vivido pouco desapareciam obscuramente, mesmo depois de terem aparecido entre milhares nos écrans da televisão a desejarem boas festas à família distante.

Cantávamos os hinos de que sabíamos muitas vezes só metade e frases curtas contra a repressão e a ditadura. Hostilizávamos, provocávamos, deixávamos que espezinhassem as ideias puras para que nas janelas os mirones e o povo vissem e percebessem a vida que viviam e nos jornais estrangeiros houvesse reportagens e fotografias.

Eram manifestações muitas vezes pedagógicas em que educávamos o medo e nos fortalecíamos; era um terror assumido nas primeiras filas e donde havia escapadas.

Havia uma certa dose de romantismo e de aventura que desaparecia na manhã em que te batiam à porta com altos brados e clamavam sem se identificarem, te reclamavam com olhares de ódio, não de quem cumpria ordens, mas de quem odiava de facto o mundo. Batiam à porta com ponta-pés e coronhadas até a aventura se esvair."


[ DIONÍSIO, Eduarda - Retrato dum amigo enquanto falo.
Lisboa : Quimera. 1988
resumo, tabulação e negrito no texto por Geografismos ].

Geografismos no TOP 100 do Elearning Awards da European Schoolnet


Em 2005 o Geografismos foi classificado entre os 100 melhores sites europeus dedicados à educação. Candidataram-se 33 países com 772 projectos on-line.

O projecto Geografismos concorreu em nome da Escola Secundária Luísa de Gusmão, mas, de facto, é resultado de trabalho saltimbanco feito desde o Inverno de 2003, em Évora.



Na imagem satélite é possível localizar os estabelecimentos por onde já ensinamos geografia - façam zoom para cada etiqueta ou cliquem na palavra «served by tagzania».

O Top 100 do Elearning Awards é o resultado do concurso organizado pela European Schoolnet e pretende:

The eLearning Awards aim at identifying and awarding excellent practice in using ICT for learning.

A European Schoolnet é uma parceria internacional de mais de 20 Ministérios da Educação europeus. Em 2005 os 772 candidatos foram avaliados por especialistas em educação de toda a Europa.



O interessante da iniciativa não está unicamente na qualidade dos trabalhos mas, sobretudo, no facto de todos se disporem à consulta pública através de uma simples hiperligação.

Obviamente ficámos muito satisfeitos com a distinção. Agrada-nos, sobretudo o facto de estarmos rodeados por gente com trabalho de mérito e qualidade. Projectos individuais ou colectivos, quase todos colectivos, de universidades a agrupamentos de escolas, de Israel à Noruega, que expõem o que de mais interessante se faz com alunos, computadores e TIC. Vale apena dispender umas boas horas de navegação na net.

A lista dos 33 países candidatos [ link ] desdobra-se num descritivo breve de cada projecto. No caso de Portugal concorreram 39 projectos educativos, sendo nomeados para o Top 100 mais três projectos para além do Geografismos:


Agrupamento de Escolas de Amarante, Amarante
The Third Universe School
http://www.agrup-eb23-amarante.rcts.pt

Escola Secundária Aurélia de Sousa, Porto
ESAS+
http://www.esasmais.com/index2.html

Centro de Competência Nónio Séc. XXI da ESE de Santarém, Santarém
No Mundo das Fábulas
http://nonio.eses.pt/fabulas/
http://nonio.eses.pt/contos/andersen.htm



Os trabalhos portugueses são revelam uma vaga de fundo com evidente qualidade. Para consultá-los é necessário seguir este LINK e em baixo fica a sua listagem sumária:


ACEAV - Associação da Comunidade Educativa de Aveiro, Aveiro
Rede Intermunicipal de Apoio à EDUcação - RIA-EDU

Agrupamento Ovar-S. João, S. João-OVAR
Rede Intermunicipal de Apoio à EDUcação - RIA-EDU

Agrupamento Vertical de Escolas de Boticas, Boticas
História da Vida na Terra

Agrupamento de Escolas Pedro Álvares Cabral, Belmonte
E-Learn, E-Success

Agrupamento de Escolas de Amarante, Amarante
Agrupamento de Escolas de Amarante
The Third Universe School

Agrupamento de Escolas de Monforte, Monforte
Funções no 8º Ano de escolaridade

Agrupamento de Escolas de Monforte, Monforte
Funções no 8º Ano de escolaridade

Centro de Competência Nónio Séc. XXI da Beira Interior, Castelo Branco
O Portal Web do Agrupamento de Escolas Afonso de Paiva
(School's Webportal)

Centro de Competência Nónio Séc. XXI da ESE de Santarém, Santarém
Fables! Fables!
Hans Christian Anderson Tales

Colégio Internato dos Carvalhos, Carvalhos
CPAS

Colégio Vasco da Gama, Sintra
A página Web na aprendizagem das Ciências

Colégio da Bafureira, Parede
Janela do Saber

Direcção Regional de Educação do Alentejo, Évora
Serviços on-line da DREalentejo

EB23 Manuel de Faria e Sousa, Felgueiras
A NOSSA ESCOLA ESTÁ NA INTERNET

ESAG (Escola Secundária António Gedeão), Almada - Laranjeiro
LANGUAGES LIKE WINDOWS : opening up into worlds

ESCOLA SECUNDÁRIA DE FIGUEIRÓ DOS VINHOS, FIGUEIRÓ DOS VINHOS
Portal ESFV - An E-Window to the World

Escola Básica 2º e 3º ciclos - D. Luís de Ataíde, Peniche
CIÊNCIA.com

Escola EB23 S Pedro Ferreiro de Ferreira do Zêzere, Ferreira do Zêzere
Open a New Window, Avoid Info-Exclusion

Escola EB1 Bom Sucesso, Porto
guiões digitais: criações multimédia no 1º ciclo

Escola Profissional Cristóvão Colombo, Funchal
e-student

Escola Profissional de Ourém, Ourém
Sistema de Elearning - Apoio aulas de Informática

Escola Secundária Carlos Amarante, Braga
Correspondance Scolaire
Portuguese On-line
Une Famille Multiculturelle

Escola Secundária D. Luísa de Gusmão, Lisboa
Geografia.com

Escola Secundária de Arouca, Arouca
Interactive Whiteboards in Classroom

Escola Secundária de Emídio Navarro - Viseu
ESEN-Net - An Extranet Based Educational Project

Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa, Porto
ESAS+

Escola Superior de Educação de Beja, Beja
"A Conquista da Europa"
EB1 Brunheiras
English On_line

Learn4U - Consultoria, Lda., Funchal
:: projecto de elearning ::
comunicação_multimédia>>produções_cmm>>
e-tutor - curso de especialização em formação a distãncia para professores
internet_educação>>eportolio_marlene_lira>>

Universidade de Évora, Evora
Vamos brincar à Física e à Química

etic_ Escola Técnica de Imagem e Comunicaço, Lisboa
Initiation of the Course of Portuguese Gestual Language

uARTE - Programa Internet na Escola UMIC/PCM, Lisboa
"Abecedário Virtual"

ossos
arqueologia em évora








A escavação arqueológica ocorreu ao longo do Verão de 2009, no largo Mário Chicó, junto à fachada norte da Sé de Évora.

Por informação directa dos arqueólogos presentes confirma-se que foram encontrados inúmeros esqueletos e vestígios datados do século XVII mas, porque o lugar sempre foi densamente povoado, é provável encontrar vestígios de épocas anteriores.


"Não é uma vala comum. A quantidade de enterramentos humanos deve-se ao uso do espaço como cemitério nas proximidades da Sé catedral sendo prática normal até ao século XIX. Tratando-se do principal cemitério antigo da cidade de Évora, em época Medieval e Moderna, é habitual a grande concentação de sepulturas da população urbana num espaço tão reduzido. A época do cemitério ainda não está definida, integrando-se na época moderna (provavelmente séc. XVI-XVII.

A escavação continuará até atingir o substtrato geológico do lugar, pelo que se prevê descobrir fases mais antigas da ocupação da cidade de Évora (época Romana e época Medieval)"

adaptado da nota informativa de Félix Teichner, empresa Arkhaios, afixada no sítio da escavação.




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geografismos top cem




O geografismos foi classificado entre os 100 melhores sites europeus dedicados à educação. Candidataram-se 33 países com 772 projectos on-line.

Na imagem satélite é possível localizar as escolas por onde já ensinamos geografia com este projecto - apesar do desencanto acompanhamos desde 2003 que o boom dos blogs em portugal.



O Top 100 do Elearning Awards é o resultado do concurso organizado pela European Schoolnet, uma parceria internacional de mais de 20 Ministérios da Educação europeus. No ano da nossa nomeação 772 candidatos foram avaliados por especialistas em educação de toda a Europa.


nota:
Imagem satélite do Google Local. Etiquetas referenciadas no Tagzania-Geografismos.


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amarcord abril de 74






Abril de 74 é o meu «Amarcord». [São os anos setenta] É a televisão a preto e branco, os desenhos animados do «Vickie», a «Gabriela, Cravo e Canela», o «Espaço 1999»; são as brincadeiras infindáveis pela noite dentro para chegar a casa enegrecido de tão sujo que ficava (os jogos de bola combinavam-se assim: «muda aos seis, acaba aos doze»). Por vezes os gritos de «os ciganos vêm aí!» faziam-nos fugir rua acima.

Verão Quente de 75. Pelo meio as manifestações, das quais só me lembro de um imenso mar de pernas, ou o dia em que uns dez milhares de operários da Lisnave subiram a encosta para defender, com um cordão humano, o quartel de Almada ameaçado de bombardeamento por voos rasantes da Força Aérea - várias vezes houve o risco de uma guerra civil. Após a tempestade política do Verão Quente de 1975, a calma surge com a intervenção militar de 25 de Novembro de 1975.


nota:
Imagem a cores: informação daptada da Revista História e referenciada a imagem do satélite MODIS - Rapid Response System. Imagem a P/B: Imagem cedida por Victor Valente.


Continua com O NOSSO AMARCORD... [ link ]
Continua com AMERICAN GRAFFITI... [ link ]
Continua com OS LUGARES DA ACÇÃO MILITAR... [ link ]
Continua com OS ÚLTIMOS DIAS... [ link ]









a meteorologia do 25 de abril





"Nas Ilhas Britânicas, França, Bélgica, Países Baixos, Alemanha e Península Ibérica o céu estava geralmente pouco nublado e o vento era fraco, por influência de um anticiclone que se estendia de sudoeste dos Açores até à Escandinávia.

Nos Açores o céu estava geralmente pouco nublado e o vento era fraco. Na Madeira o céu estava muito nublado e o vento era fraco de norte.

Em Portugal Continental o céu estava muito nublado nas regiões do litoral, pouco nublado nas regiões do interior e o vento era fraco ou moderado de noroeste. Havia neblina em alguns locais."

Boletim Meteorológico, Lisboa : Instituto de Meteorologia. (25 de Abril de 1974)


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«o dilema do prisioneiro




A um prisioneiro da PIDE/DGS colocava-se um dilema: resistir e sofrer ou, renegando os seus ideais e dignidade pessoal, colaborar e denunciar.

Utilizamos excertos da informação factual colectada por Christopher Reed e rectificada por Fernando Vicente.

Sugerimos uma simulação de papéis designada por «Dilema do Prisioneiro». Trata-se de um jogo de uma incrível simplicidade mas que levanta questões morais e éticas a partir das escolhas individuais de cada um. Veremos que a um prisioneiro será muito penoso resistir e manter-se altruísta, imagine-se, pois, ser-se prisioneiro político, sem direitos constitucionais e sob tortura...


Como responder ao dilema Sofrer Vs. Denunciar?


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praça do giraldo, cidade de évora





"Infalivelmente, todas as terças-feiras, quer chovesse quer fizesse sol, a Praça do Giraldo abarrotava de gentio. O café Arcada formigava de bonés e chapéus descaídos para a nuca. Capote, samarra ou pelico e safões pela rijeza do inverno. A singeleza da camisa e colete pela calma do verão.

Era o dia dos negócios da lavoura. A «bolsa informal» do gado, da cortiça, das leguminosas, dos cereais e da palha. Entre cafés e aguardentes concertavam-se negócios, apalavravam-se arrendamentos, compras e vendas de herdades, emprestava-se e pedia-se dinheiro."


In Alentejanando em Fevereiro, 2004



Évora cresceu e urbanizou-se. Para mim a Praça do Giraldo são as noites quentes de Verão, as tardes nos telhados do Harmonia com concertos e filmes pela madrugada, o pessoal da Universidade de Évora...

Indo para baixo, no sentido sul, encontramos o departamento de Geologia, para poente e ao fundo da muralha, encontra-se a escola de Santa Clara. Para cima chegamos à Praça do Sertório e ao café Capuccino. Ou, ainda mais para cima, junto à Sé, o mais bonito restaurante-pátio vegetariano do país.


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convento de santa clara, cidade de évora




Amarcord é um filme de Fellini. Traduz-se por Recordar. Recordo Santa Clara enquanto lugar fundador do Geografismos, foram tempos excepcionais.


"Tenho continuado a seguir a mais dinâmica e prometedora realidade da blogosfera eborense: o "GEOGRAFISMOS" e a sua comunidade de blogues escolares, protagonizada pelos alunos da Escola de Santa Clara.

O meu entusiasmo, e porque não dizer a minha ternura, nasce de várias fontes. Desde logo essa afinidade de base que é ter sido aluno da escola durante dois anos, e curiosamente companheiro de turma de vários progenitores de alguns dos blogueiros agora lançados no projecto do "Geografismos". Foi há muitos anos, mas o passado nunca deixa de estar presente, como diz o poema de T. S. Elliot que deu o título de uma revista que por vezes aqui tenho citado - o "Tempo Presente".

Depois a circunstância de, passados anos, bem longe daqui, ter sido professor - sete anos da minha vida, sete... e ainda hoje sinto que nada do que fiz me encheu a alma como essa experiência diária, cheia de alegrias e frustrações, em que uma pessoa se dá inteira para aprender com outras, que nos olham na ilusão e na esperança de sermos nós a ensinar-lhes qualquer coisa; expectativa a que temos que responder, envergonhadamente...

Não falo da convicção racional de que o ensino é hoje o principal terreno da guerra que temos de travar, se queremos ter a sociedade e o país que sonhamos ter. Mas isso vem por acréscimo - nunca consigo afastar-me do ensino.

Finalmente, confesso a sensação afectuosa e divertida de vê-los crescer, crescer... sinceramente, nem a revelação crua do tempo que passou se sobrepõe a essa alegria; um homem passa, mas a vida infinitamente se renova.

Já tinha ironizado aqui sobre essa impressão, quando descobri o blogue do filho do Jaime. Não seria capaz de o reconhecer, evidentemente, mas sorri ao lembrar o rapazinho que o Jaime Nogueira Pinto me apresentou, há tantos anos, lá no Campo Grande, ainda a Zézinha era só dona de casa.

E agora, nestes "Geografismos" eborenses, encontrar um blogue do João Roma traz-me à lembrança outro tempo ainda mais antigo, quando a pequenada jogava à bola no jardim do Largo de São Mamede, ali bem perto da Rua da Mouraria (o pai Roma era então muito mais dedicado ao futebol do que às Finanças)... e a Patrícia - ai de mim! - os pais dela são muito mais novos do que eu..."


in O sexo dos anjos
sublinhados do geografismos


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cova do vapor




"Depois do 25 de Abril houve aqui um certo desordenamento, mas também o houve em todo o país e ainda bem", explica Guilherme Pais, admitindo a existência de "abusos" nesse período inesquecível. "Em certa altura até já estavam a construir uma pensão na mata. Teve de cá vir o Copcon [força militar dirigida por Otelo Saraiva de Carvalho no Verão de 1975] deitar tudo abaixo."


in Cerejo, José António. Uma relíquia chamada Cova do Vapor. PÚBLICO, 28/04/2002


No fim do Rio Tejo há a Cova do Vapor. Foi aldeia de pescadores, tornou-se aldeia balnear, hoje em dia é aldeia balnear, piscatória e suburbana. Em cinquenta anos foi empurrada mais de meia dúzia de vezes pelo mar para dentro da Mata de S. João; o seu povo andou com a casa às costas, em cima de tractores.


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AML e o mouchão da póvoa






Mouchão, s.m. terreno arborizadio e um tanto elevado, em meio
de lezírias; pequena ilha nos rios ou à beira-mar, formada pela acumulação de aluviões. (do lat. hisp. *mutulõne-, de mutülus, «cabeça saliente de viga»).
[Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora].


Mouchão da Póvoa. É a ilha que surge na parte direita da imagem do cabeçalho [do Geografismos-blog]. Quem costuma sair de Lisboa pela A1 pode reparar nesta pequena «ilha do tejo» quando passar por Póvoa de Santa Iria.

Este mouchão pertence à Reserva Natural do Estuário do Tejo que inclui a quase totalidade das zonas entre-marés do estuário, assim como os mouchões de Alhandra e do Lombo do Tejo; os quais conferem ao rio uma configuração deltaica.


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onze de setembro




Em 11 de Setembro de 2001 pelas 9h03, hora da «Eastern timezone»* dos Estados Unidos, o Voo 11 da American Airlines, com 92 passageiros a bordo e oriundo de Boston, atingiu a Torre Norte do World Trade Center (ruiria às 10h28).

*para compreender as diferenças horárias nos EUA sugiro consulta de The Official U.S. Time




nota:
Imagens trabalhadas a partir de Setember 11 do New York metro.com


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a mais alta ciência viva




Em 7 de Agosto [2004] aconteceu a saída de campo «Serra da Estrela: Os Vestígios dos Glaciares», com orientação de Narciso Ferreira, especialista em Geologia e Geomorfologia da Serra da Estrela.

Foi o dia inteiro para saber como nasceu a mais alta serra de Portugal continental, encontrar pedras viajantes, ver pedras polidas pelo gelo, subir aos 1993 metros.


[ O mal da Serra ]
No dia anterior à saída de campo andei a vadiar pela Serra e às tantas enredei-me na Volta a Portugal em Bicicleta. Tive de fugir tal era a confusão de lixo e barulho - Imaginem um vale glaciar mais engarrafado que a Ponte 25 de Abril.
Parece que no Inverno é a mesma coisa: engarrafamentos colossais mal os noticiários anunciam que começou a nevar no Alto da Torre - Ainda por cima têm regadores gigantes para neve artificial. Neste 7 de Agosto tudo pareceu absolutamente grotesco e abandalhado.


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paisagem e landart




Paisagem é um tema querido à Geografia, trabalhando-se o tema nas primeiras aulas do sétimo ano. Em inglês diz-se «landscape».

A «landart» é um tema aparecido nos anos 60. É arte na paisagem natural. No Verão de 2003, em Mértola, aconteceu landart.

nota:
Imagem da intervenção do artista plástico Domingos Gomes.


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voar




Quando um qualquer avião com destino Lisboa entra no nosso Espaço Aéreo Nacional passará do Controlo Regional de Lisboa que o monitoriza em «altitude de cruzeiro» (entre os 9km e os 11km), para o Controlo de Aproximação de Lisboa, momento em que inicia os procedimentos de «aproximação à pista» via radar.



A geografia do Aereoporto de Lisboa responde a duas grandes necessidades:

(1) Situa-se na cota de 100 metros (altitude) no único espaço sem declives junto à cidade (se bem que rodeado por habitações, quando inaugurado localizava-se na periferia). Em toda a sua área os declives são mínimos, e, obviamente, a sua extensa pista não tem nenhuma inclinação.

(2) Está «desenhado» em forma de um «quatro» devido aos ventos dominantes na cidade: a pista principal tem o sentido Sul-Norte (S-N) pois as aeronaves precisam de aterrar contra o vento que na maior parte do tempo sopra de norte. Para os dias em que se registe variação de sentido dos ventos há uma outra pista: sentido Sudeste-Noroeste (SE-NO) pois verifica-se ser a direcção mais comum logo a seguir à predominante


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a menina boa




Durante as aulas de Área de Projecto o Zé Bento [Santa Clara, 2004] andou a trabalhar um pequeno conto. Dei-lhe o texto e os desenhos originais, ele adaptou-os usando o Paint do Windows e copiando à escala alguns desenhos.

Para o Zé Bento copiar palavras do quadro negro para o caderno já é um feito notável (que eu visse, fê-lo, pela primeira vez, há duas semanas atrás). Inevitavelmente o trabalho acabou por ficar «original» q.b. (ou para alêm disso).


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ponte 25 de abril





Aberta ao tráfego em 6 de Agosto de 1966, o seu comprimento total é de 2278 metros entre os maciços de amarração situados nas margens norte e sul e um vão central de 1013 metros.




O pilar da torre norte assenta numa falha sísmica somente descoberta no exacto momento em que se procedia à construção das fundações de suporte ao pilar, facto que esteve na origem do acidente que vitimou os mergulhadores-operários que ali operavam. Trata-se de uma obra de risco que obriga a verificações técnicas regulares (instrumentação) por parte do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e do Instituto da Soldadura e Qualidade (ISQ)


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jurassic espichel




Como qualquer outro cabo, parece uma ponta de terra que entra mar dentro. A Geografia diz o contrário: são rochas que resistem ao avanço do mar, à erosão diferencial das ondas, devido à sua dureza.

[O Cabo Espichel] é um local excelente para visitar em madrugadas de nevoeiro cerrado, altura em que as sirenes dos barcos que passam ao largo causam forte impressão (é uma área de intenso tráfego marítimo).

[A foto documenta diversas camadas de rocha; numa delas encontra-se um] trilho de pegadas de dinossauro. E cuidado: no inverno o vento é tal, que o melhor é terem muito cuidado junto às falésias.


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